Estevam e o Jambo-vermelho
Em 1999 comprei uma casa próximo ao centro de Presidente Prudente, ao lado do Balas Cedral, a loja conhecida como o paraíso dos doces para a criançada.
Bom, comprei a casa com intuito de alugá-la. Um ponto excelente, área central, próximo ao calçadão, perfeito para um comércio, pensei. O bairro, antes residencial, já há tempos recebia a natural expansão comercial do centro.
Mas havia um problema, que eu não havia dado muita importância, para meus planos. Aliás, um problemão de dez metros de altura: uma grande árvore que cobria toda a “fachada” da casa. Para minha sorte (e não dela) a bicha estava plantada na calçada em frente ao meu novo imóvel.
Bastava cortar e pronto! Diziam que árvores eram ruins para o comércio! Sou professor, não comerciante, mas eu tinha que facilitar as coisas!
Estava olhando a árvore para calcular o trabalho que teria, quando me deparei com um tapete cor-de-rosa debaixo dela. A calçada estava coberta por filamentos de uma cor que nunca tinha visto de tão forte e bonita!
– Que maluquice é essa?, pensei. Olhei pros galhos e estavam cobertos de flores da mesma cor, que brilhavam na escuridão da copa da árvore.
Foi o pessoal do Itesp, os vizinhos da casa, que me contaram mais daquela árvore. Jambo-vermelho era seu nome, e que em algumas semanas apareceriam os tais frutos vermelhos, com “gosto de maça”.
Como bom professor, descobri mais sobre a árvore. Aquele formato engraçado dela, como um grande cone, não foi trabalho de algum jardineiro como eu pensava. Todos os jambos-vermelhos são assim. E que a árvore era estrangeira, vinda da Ásia tropical.
Quando os frutos apareceram... hummmm... sim eram deliciosos! Descobri que os caroços germinavam fácil. Em pouco tempo fiz um viveiro no fundo de casa, com jambinhos-vermelhos crescendo por todo canto.
Primeiro foi o horto de Prudente. Depois Anhumas. Quando vi já estava mandando mudas pra Bauru, e, para surpresa de todos, mudas do meu jambo-vermelho foram plantadas as margens da Marginal Pinheiros, em São Paulo pelo Projeto Pomar.
Quem acabou alugando a casa nunca reclamou do jambo-vermelho. E o pessoal do Itesp, os que me abriram os olhos pra besteira que eu ia fazer, me ajudam aguando a árvore e contando sobre ela para as pessoas maravilhadas que param para ver o lindo tapete cor-de-rosa.
Estevam Giabardo, 61
Presidente Prudente - SP |