Maria Fernanda e a Rede Elétrica
Essa história sempre me encheu de orgulho pelo meu pai. E não adiantava quantas vezes eu já tivesse escutado, sempre pedia pra ele me contar mais uma vez.
Tudo aconteceu por causa das palmeiras que meu bisavô plantou há quase trinta anos em frente de casa.
Um dia, há dez anos, chegaram em casa uns engenheiros da empresa de luz, e outros da prefeitura, e informaram meu pai que iam cortar as palmeiras. Elas estavam atrapalhando os fios da rede elétrica.
Meu pai disse a eles que seria um crime perder as três palmeiras, e que ele ajudaria a achar uma outra solução. Mas os engenheiros responderam que não havia outra solução, e que meu pai seria responsável se algum acidente acontecesse.
É, esses engenheiros não conheciam meu pai, mesmo. Meu pai sabia que a responsabilidade pela rede elétrica era da empresa de luz, e que eles deveriam sim respeitar o morador (e cliente) que não quisesse ver suas árvores arrancadas.
A luta durou alguns meses, até o dia que um engenheiro da matriz da empresa de luz veio de São Paulo, viu as palmeiras, e mandou arrancar sim... a REDE ELÉTRICA!
Com essa decisão inteligente não só as palmeiras do meu bisavô foram salvas, como também mais três árvores dos vizinhos ganharam o privilégio de nunca serem importunadas pelos cortes de galhos que costumam deixar tão feias as árvores que ficam debaixo das redes elétricas.
Hoje, é neste trecho "libertado" de quarenta metros que estão as únicas árvores refrescando minha rua.
Ops! Únicas não. Por que nas últimas férias eu plantei uma árvore do outro lado da rua, onde há um ponto de ônibus. Eu havia notado que as pessoas ficavam debaixo do sol esperando seu ônibus. Daqui há uns anos elas terão uma gostosa árvore para protege-las.
Acho que foi mais ou menos isso que meu bisavô pensou quando plantou as palmeiras em frente de casa, há mais de trinta anos.
Maria Fernanda, 14
Presidente Prudente - SP
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