Izabel e os Jacarandás
Grande parte de minha vida morei em apartamento ou em residência sem qualquer tipo de arborização. Depois de casada, quando mudamos para esta casa, percebemos que teríamos problemas: eu com as duas árvores enormes em frente de casa, e meu marido Sérgio com as reclamações de vizinhos e as minhas pela sujeira das árvores.
Logo na primeira manhã na casa teimei que as árvores eram velhas, e que faziam muita sujeira com suas folhas pequeninas, frutos, sementes, inúmeros gravetos e flores. Sem mencionar o medo de que elas, a qualquer momento, poderiam cair sobre minha casa ou sobre alguma pessoa ou carro que estivesse na rua.
Com o passar do tempo percebi também que, além do ciclo constante de "sujeira", as árvores serviam de local de encontro de quase todas as maritacas existentes nesta cidade! Já bem cedinho, e, depois, no final da tarde, as aves reuniam-se e "conversavam" muito alto.
Tentei por inúmeras vezes autorização para cortar as árvores, sempre obtendo negativa dos órgãos competentes, mesmo me comprometendo a plantar outras no lugar.
Há cerca de dois anos praticamente implorei para matarem as árvores, e enviei uma carta tão grande para o horto florestal que parecia um "tratado". Em seguida os responsáveis pelo horto compareceram à minha residência para averiguar a dramaticidade das minhas queixas; e foi nesta visita que percebi a barbárie que estava disposta a praticar.
Fui informada que "minhas" árvores eram Jacarandás, uma árvore nobre e praticamente extinta, que na cidade existiam cerca de dez, e que eu deveria ficar feliz por duas delas estarem na frente da minha casa.
Feliz eu não fiquei. O Sérgio sim. Mas, devagar, passei a olhar as árvores de outro modo. Comecei a reparar no lado positivo. Quantas pessoas possuíam o privilégio de acordar com o cantar dos pássaros? De ter sombra em tempo integral refrescando naturalmente a casa?
Passei a amá-las e respeitá-las, afinal elas já estavam aqui bem antes do meu nascimento. Elas hoje me trazem orgulho e surpresas. A primeira vez que vi um pica-pau foi nelas! Além de ter quantos frutos eu quiser para fazer inúmeros brincos e colares, haja visto que os frutos de jacarandá estão super na moda!
Atualmente, meu esposo e eu, quase todos os finais de semana sentamos na varanda de casa e ficamos admirando "nossas árvores", respondendo aos bem-te-vis e desfrutando das maravilhas que elas nos proporcionam.
Hoje nós dois temos também um pomar em casa, sem contar a dezena de vasos com inúmeros tipos de plantas, e "nossos" Jacarandás são membros da família. São regados diariamente e cuidados com muita atenção e, acima de tudo, com o respeito que lhes é devido.
Izabel Garcia, 30
Sergio Miguel, 34
Presidente Prudente - SP |