Efraim Rodrigues – Engenheiro Agrônomo
A Floresta Urbana.
Quando eu falo a palavra floresta eu já enxergo nos olhos da pessoa um brilho que lembra Amazônia, Índio Caramuru, perigos inimagináveis…
Este é um tipo de floresta, mas não é o único tipo.
Uma outra floresta é aquela formada pelo conjunto de árvores de calçada, quintais, praças de qualquer cidade.
Moramos então no meio de uma floresta?
Sim, sem dúvida. Ela pode ser meio diferente de uma floresta como a gente está acostumado a pensar, mas muita coisa acontece na floresta urbana do mesmo jeito que acontece lá na floresta amazônica.
Você já viu como um carro parado embaixo de uma Sibipiruna fica cheio de uns pontinhos brancos? Estes pontinhos brancos são resultado do ataque de uma praga na Sibipiruna, a cochonilha. Na floresta, seja na amazônica, seja na urbana, quando tem muito de uma planta, logo aparece uma praga para diminuir esta espécie. Plantamos muita Sibipiruna há vinte anos, e hoje convivemos com a praga. A coqueluche agora é plantar Oiti.

“..enquanto a COPEL e a prefeitura fazem podas assassinas em Londrina, sem nenhum critério técnico, os engenheiros de Maringá são chamados para dar palestras Brasil afora...” |
Eu até vejo as madames tomando chá das cinco:
- Você já plantou seu oiti hoje? Eu plantei um oiti chiquérrimo em frente de casa ontem.
Daqui a vinte anos a cidade de Londrina vai estar lidando com a praga do Oiti, seja ela qual for.
Londrina gerencia sua floresta urbana de modo medíocre. Ah, mas as dificuldades, a falta de recursos…
Maringá é uma referência nacional no trato da floresta urbana. Isto é porque Maringá têm mais dinheiro do que nós, a cidade é mais antiga ou maior do que Londrina?
Não, Londrina têm mais dinheiro, é mais antiga e maior do que Maringá. Porém Londrina não tem, nem nunca teve, nenhum dirigente que queira trabalhar ambiente seriamente. Enquanto a COPEL e a prefeitura fazem podas assassinas em Londrina, sem nenhum critério técnico, os engenheiros de Maringá são chamados para dar palestras Brasil afora, mostrando como Maringá consegue ser tão bem sucedida no trato da sua floresta urbana. E é totalmente merecido. Quem conhece Maringá, já viu que bela sombra existe ao longo das ruas. Isto mostra um aspecto interessante da floresta urbana. Ela propicia serviços para os moradores da cidade. A sombra é um deles, a redução da erosão que suja o Igapó com qualquer chuva é outro, o isolamento acústico, enfim ande numa rua arborizada e ande numa rua sem árvores e você me diz a diferença.
É muito fácil ficar aqui falando sobre as vantagens de se ter uma floresta urbana. Mais difícil é convencer uma dona ou dono de casa histéricos que não se corta uma árvore porque ela suja uma calha, ou porque ela deixa cair algumas folhas na rua. Cortar árvores de calçada sem autorização é crime. Se a Prefeitura de Londrina tivesse a mínima seriedade faria a ler valer, multando os desmatadores da floresta urbana.
É importante deixar claro que a árvore em frente a sua casa não é sua. É nossa. Eu preciso da sua árvore quando passo em frente a sua casa e você precisa da minha quando passa em frente a minha casa.
A função da Prefeitura não é atender os pedidos de corte de árvores feitos pelos Srs Vereadores. A função da Prefeitura é penalizar aquele cidadão de segunda classe, que se julga no direito de cortar uma árvore da cidade. A função da Prefeitura é também trabalhar junto com aqueles cidadãos que querem uma Londrina silenciosa, limpa e sombreada, como nós poderíamos ter.
Eu quero terminar a coluna de hoje com uma estória sobre como Londrina maneja sua floresta urbana. Ela é uma entre centenas de estórias, centenas de endereços que eu tenho em casa.
O Dr Martim Homechim é uma destas pessoas que gosta de árvores.
Ele plantou várias na praça em frente a sua casa, no quintal dos fundos, etc. O Dr Martim é inclusive Professor do Depto de Agronomia da UEL. Na frente da sua casa, especialmente, ele plantou um Pau Brasil há três anos. Esta árvore já tinha três metros de altura, estava plenamente sadia e ainda bastante longe da fiação. Um belo dia Dr Martim chegou em casa e viu sua árvore decepada a um metro de altura por uma turma de poda.
Quem quiser ver este monumento a incompetência do cidadão Londrinense, pode ir até a Av Japão, número 28, ou mesmo dar uma volta no seu quarteirão. Você vai encontrar inúmeros deles..
Dr. Efraim Rodrigues – Engenheiro Agrônomo
Universidade Estadual de Londrina |