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Árvores e os biofertilizantes

A fertilidade do solo, umidade, temperatura e a atividade microbiana influenciam na
sobrevivência, estabelecimento e crescimento das plantas. A comunidade microbiana do solo é composta por um complexo de espécies que atuam nos processos biogeoquímicos e são fundamentais para a formação do solo e crescimento das plantas.

A colonização da terra e a evolução das plantas somente foi possível a partir do estabelecimento de associações simbióticas entre algas e fungos, sendo as plantas terrestres o produto desta antiga e prolongada associação.

A associação entre fungos+solo+plantas é chamada de micorriza. Esta associação é benéfica as plantas que têm aumentada sua capacidade de absorção de água e nutrientes, e essencial aos fungos que obtêm carboidratos cedidos pela planta, já que estes não possuem clorofila.

A micorriza auxilia as plantas na captura de nutrientes no solo. Estes organismos proporcionam aumento na absorção de água e nutrientes para a planta, funcionando como uma extensão do seu sistema de raízes, aumentando a eficiência com a qual o volume de solo é explorado.

Estima-se que as raízes colonizadas por micorrizas obtenham um aumento de 10 vezes a superfície de absorção e de 1000 vezes o comprimento das raízes, comparadas com plantas não colonizadas.

As micorrizas fazem simbiose com grande número de espécies de plantas, incluindo as herbáceas e arbóreas, contribuindo para o seu estabelecimento, crescimento e sobrevivência, através da redução do estresse associado com a nutrição, disponibilidade de água, estrutura do solo, aeração, pH, doenças e matéria orgânica, aumentando a taxa fotossintética e a longevidade das raízes.

Nos trópicos, a baixa fertilidade do solo e a limitada disponibilidade de nutrientes proporcionam a formação da associação micorriza, que são essenciais para uma grande variedade de espécies de plantas e principalmente árvores.

As principais árvores nativas comumente presentes nas cidades que têm alto grau de associação com micorriza são a aroeira, o fedegoso, a pata-de-vaca, o louro preto, a pitanga, a mutamba, o ipê-amarelo-cascudo e o ipê-rosa, entre outros.

Em virtude das perturbações nos ecossistemas provocados pelo homem que interrompem a ciclagem dos nutrientes, principalmente no espaço artificial das cidades, a associação micorriza pode ser necessária para recuperar e estabilizar as comunidades de plantas, pela vital ligação entre os produtos decompostos e a aquisição de nutrientes. Uma verdadeira e eficaz biofertilização para as árvores urbanas.

(Livre adaptação pelo site tudoverde.org.br do texto "Micorrizas arbusculares em espécies arbóreas nativas da bacia do rio Tibagi - PR" de WALDEMAR ZANGARO e GALDINO ANDRADE)

Dr. Galdino Andrade - Biólogo
Universidade Estadual de Londrina
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