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Mitos urbanos

No dia 19 de setembro tive a oportunidade de ministrar uma palestra a respeito das árvores na cidade. Para tal comecei apresentando alguns dados como aquele que confirma que somente 2,38% da área do município de Maringá está coberto por mata de grande porte. Destacando, que se o Código Florestal Brasileiro estivesse sendo cumprido, no mínimo, 20% da área rural e também urbana estariam cobertos por matas nativas.

A seguir, passei a discutir o papel das árvores no meio urbano, afirmando que a Flora hoje é considerada como parte da infra-estrutura Urbana, detalhando seu papel bioclimático, não somente no conforto térmico, mas também paisagístico.

Na seqüência, para consolidar alguns conceitos assistimos a um vídeo do Observatório Ambiental Árvores do passeio público e conforto térmico, elaborado em fevereiro de 2007.

Ao finalizar a minha palestra, tive a oportunidade de ouvir a afirmação de um aluno, a qual ficou dando voltas no meu pensamento. "Professor, isso de plantar árvores no novo centro, isso não é possível, pois as raízes das árvores destruiriam tudo?". Retruquei questionado, Qual era a profundidade das raízes das árvores plantadas na via do passeio público? E a resposta foi muitos metros...

Então, lembrei de um livro que havia lido quando criança de um autor francês chamado Saint Exupéry o livro era "Le Petit Prince" que narra a história de um piloto de aviação que sofre um acidente e cai no deserto, encontrando um garoto sensível que mora no asteróide B-612, e cuja maior preocupação são as árvores que poderiam vir a destruir o seu planeta.

Nessa obra, o desenho dos carneiro é emblemático pois seu papel seria o de comer os baobás ainda pequenos, caso contrário o planeta do pequeno príncipe acabaria rachando.
Conta-se que Saint-Exupéry encantou-se com um dos baobás existentes na cidade de Natal, mas especificamente na rua São José, no bairro da Lagoa Seca e que por isso incluiu a árvore no seu livro.

Em Natal Saint Exupéry se hospedava no já demolido Grande Hotel e de sua passagem por Natal, entre 1929 e 1931, ficou registrada uma entrevista feita pelo jornalista Nilo Pereira para o Diário de Natal.

O trecho, reproduzido livremente abaixo, do livro "O pequeno príncipe" e que trata das árvores, nos ajuda a compreender a extensão do efeito no imaginário social urbano da obra de Saint Exupéry. O mito da destruição do planeta, neste caso das avenidas e ruas, pelas raízes das árvores ainda continua a ser reproduzido livremente, mesmo com tanta ciência e tecnologia disponível para lidar e conviver com a natureza.

"....Os baobás, antes de crescer, são pequenos. È fato! Mas por que desejas tu que os carneiros comam os baobás pequenos?
- Porque haveria de ser? Respondeu-me, como se tratasse de uma evidência. E foi-me preciso um grande esforço de inteligência para compreender sozinho esse problema. Com efeito, no planeta do principezinho havia, como em todos os outros planetas, ervas boas e más. Por conseguinte, sementes boas, de ervas boas; sementes más, de ervas más... "

Assim, uma vez que as sementes lançam seu galinhos, devemos reconhecer rapidamente a espécie e quando é de "uma planta ruim, é preciso arrancar logo, mal a tenhamos conhecido." Por tanto, como "o solo do planeta estava infestado de árvores, era necessário sempre estar alerta pois suas raízes perfuram o planeta e acabam rachando ele. Por isso, o principezinho cuidava com esmero o planeta, deixando crescer somente as rosas, porem não as árvores.

Dr. Jorge Villalobos - Geógrafo
Universidade Estadual de Maringá
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