por Pablo Melo
Impacto ambiental nas cidades
Vivemos uma clara situação limite.
Um novo paradigma: conter a emissão de carbono e de outros gases de
efeito estufa (g.e.e.). A elevação da proporção de carbono, na forma
do gás CO2, está comprovadamente provocando o incremento do natural
efeito estufa no planeta.
As conseqüências previstas para os próximos anos, entre outras (como
mudança do regime de chuvas, elevação dos mares e oceanos, e
desertificação) está o aumento acelerado da temperatura.
A obtenção e uso em larga escala, pelo homem, do carbono fóssil
aprisionado nas profundezas da crosta terrestre, e até então um
elemento retirado do ciclo natural do carbono administrado pela
natureza, vem provocando desde a época da revolução industrial este
incremento da proporção de carbono na atmosfera.
Neste cenário, o foco das políticas publicas se vira para as soluções
e mitigações para enfrentar causas e conseqüências das mudanças
climáticas.
Simultaneamente, e por relação direta, tanto o problema e a solução
apontam para a mesma arena: os aglomerados urbanos.
Estudo realizado em 2006 pelo Instituto WorldWatch, com sede em
Washington, EUA, mostra que, "ocupando apenas 0,4% da superfície do
planeta, as cidades emitem 75% dos gases de efeito estufa"
(WorldWatch, 2006).
Esta informação é tão reveladora para entender o problema quanto para
encontrar soluções.
Em algum dia do próximo ano, pela primeira vez na historia, mais da
metade da raça humana viverá em cidades (UNFPA, 2007). O dado foi
revelado pela ONU (Organização das Nações Unidas) no documento "Estado
do Mundo 2007: nosso futuro urbano", divulgado em julho passado.
A ONU vê este crescimento da população urbana de forma positiva, já
que as ações do Estado causam mais efeito, e a mais pessoas.
E recomenda a implantação imediata de políticas públicas de longo
prazo de sustentabilidade ambiental, conforto real e benefícios
disponíveis a todos os moradores, ressalvando um horizonte que supera
a duração dos administradores municipais.
Ainda, alerta que as cidades que mais crescerão são as de até 500 mil
habitantes, e que elas devem estar preparadas para se tornarem
sustentáveis ambientalmente, pela diminuição das ações nocivas a seus
habitantes e ao planeta.
Neste cenário de influência do ser humano, e, diretamente, de suas
cidades nas emissões de gases de efeito estufa - principalmente o CO2
(gerado pela crescente frota de veículos) - e na tendência inequívoca
do crescimento continuo destes aglomerados urbanos, atentemos agora
para as árvores.
As árvores são exemplares de grande porte do reino vegetal. A expansão
da vida no planeta apenas foi possível quando as plantas encontraram
uma fonte praticamente inesgotável de energia, distante 150 milhões de
quilômetros da superfície terrestre: o nosso sol.
Pela fotossíntese as plantas oxidaram a atmosfera da Terra, que, de
98% de dióxido de carbono (CO2) e temperatura de 180 graus Celsius,
passou para algo próximo de 0,3% de CO2, com 15 graus Celsius de
temperatura média.
Onde foi parar todo aquele gás carbônico? Transferiram-se para os
seres vivos, plantas e animais.
As plantas são fixadoras naturais de gás carbônico. E as árvores
urbanas são o elemento certo, no lugar certo, na hora certa.
E, em uma cidade riscada por ruas e avenidas carregadas de veículos
emitindo gás carbônico, árvores urbanas plantadas nas calçadas destas
vias formam sobre elas, com suas copas, um filtro verde capaz de
absorver diariamente parte do carbono emitido antes que se eleve à
atmosfera.
A biomassa deste filtro verde permite, concomitantemente a esta
fixação de carbono, uma ação direta no clima urbano. O amortecimento
climático.
Pela evapo-transpiração de sua biomassa foliar, as folhas da copa, a
árvore causa o descenso da temperatura no seu entorno. Muito além do
simples bloqueio da irradiação solar, o filtro verde é um ar
condicionado natural para a cidade, provocando o fenômeno chamado de
"ilha de frescor".
A árvore urbana, por seu porte, diversidade de espécies, distribuição,
condições fitossanitárias e, principalmente, concentração dentro no
perímetro urbano, é um mecanismo vivo e sustentável de neutralização
de carbono e de transformação bioclimática.
Combatendo ao mesmo tempo as causas e os efeitos do aquecimento global
(pela neutralização das emissões de carbono, e pela proteção térmica
local, respectivamente), as árvores urbanas geram no espaço artificial
das cidades o impacto ambiental natural que é uma garantia para
restabelecer o equilíbrio bioclimático perdido.
Pablo Melo
ONG TudoVerde
(43) 91517275
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